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29 de novembro de 2010

  Começo com a base, espalho sobre todo o rosto para que a cor fique uniforme, depois um pó em tom mate, para que não fique com aparência oleosa, com um pincel espalho corretivo abaixo dos olhos, dando leves batidinhas, depois é só escolher a sombra, o lápis, o blush e a cor na boca.
Talvez aquele jeans mágico que não aperta na cintura e ainda deixa a bunda uma escultura, uma blusa com um decote na medida certa, pra não parecer nem desesperada por sexo e nem  tampouco uma freira, um sapato sem salto, ou de salto confortável não mato meus dedos por um Carmen Steffens  e  voilà, posso ficar me adimirando no espelho durante horas, ninguém me desaprovaria.
  Mil e uma maneiras de disfarçar as imperfeições externas, mas uma hora, o demaquilante molha o algodão, a água corrente e a espuma inundam o rosto, a água escorre pelo corpo, o que sobra depois disso é a verdade nua e crua na frente do espelho, mas nem mesmo as espinhas, as celulites, as estrias e as gorduras localizadas me colocam pra baixo, eu me olho e penso "sou uma mulher de verdade, não tenho photoshop".O espelho não é cruel, minha consciência é.
  Encarar um espelho não é difícil, difícil é olhar a parte de dentro, não há maquiagem, não há traje, não há meio que disfarce a falta de beleza que existe dentro da gente.
  O blog ficou cinza porque eu tô cinza, cinza é um meio termo, não gosto de meio termo, mas algo em mim
insiste em não se render ao preto e algo perto do preto não me deixa ficar no branco, existem mil tons entre o preto e o branco, o cinza é apenas uma variável, eu também vario, hoje estou cinza e pronto.