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15 de julho de 2010

 Recomeçar é sempre mais complicado,bem mais até do que começar.Eu vejo assim : começar é escrever numa página em branco,recomeçar é escrever numa página onde algo foi escrito a lápis e depois apagado,talvez até numa página em branco,mas no verso de uma página já escrita,de qualquer forma existem marcas.
 E recomeçar exige uma força descomunal,uma fé descomunal.Recomeçar,pede perdão,e o perdão é algo divino.Perdoar é algo tão supremo,tão nobre,que nos aproxima de Deus,nessa hora a gente percebe quão nobre um ser humano pode ser na hora da dor.
 E a decepção é uma ferida aberta que dói,que fica ali,latente,e não deixa você esquecer nenhum segundo daquela dor.E superar é conviver com essa ferida,e não fazer a vida parar por conta dela,e você dorme e acorda com ela,ali latejando,e aos poucos vai percebendo que a dor diminui,um dia,a ferida vira marca e marcas não doem,quando muito,lembram da dor.E essa é a hora mais difícil,não fazer das marcas um peso,não fazer da dor um medo.Não ter medo de sentir dor.
 E eu sei que não vai ser fácil,na verdade,ainda não consegui organizar direito as ideias,não avaliei ainda em quantos pedaços o meu coração está partido,mas ele continua batendo e a vida continua seguindo,então não há motivo pra parar.Dá mesmo uma vontade de sumir,de arrancar o coração fora e colocar uma pedra no lugar,mas a gente sente vontade de tantas coisas e não faz...
 E as vezes me sinto a raposa do pequeno príncipe,sei lá,vai entender.Quem sabe não terei um dia de rosa?Quem sabe ...



Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.


TU ÉS RESPONSÁVEL PELA ROSA...

12 de julho de 2010

Pensei em como iria começar o post de hoje.Depois de uma conversa a tarde,pensei em "furacão".Sim,as vezes eu me sinto meio borderline,se ontem mesmo eu falei no fotolog que estava em paz e hoje penso em furacão,tentei procurar algum nexo entre furacão e paz,alguma ligação,a única coisa que encontrei é bastante implausível,nem vale a pena citar ...
Depois reparei que nos meus posts eu nunca coloco títulos.Reparei também que no meu formspringme eu sempre recebo na sua grande maioria perguntas anônimas,reparei que quase ninguém me segue no twitter e que eu não sigo os meus amigos,só alguns.No msn eu coloco ocupado pra não conversar com as pessoas,sinto uma carência absurda de conversas interessantes,mas metade do meu msn não fala coisa com coisa ...
Depois de juntar todas essas coisas,pude perceber que eu sou uma pessoa bastante só,mas sou só,porque gosto de estar só,gosto de ficar só.A solidão não me incomoda,a solidão me dá paz,eu consigo organizar meus pensamentos,como quem arruma uma gaveta.O furacão vem,quando eu tenho conversas como hoje,que desfazem toda a minha arrumação.
Abrir a minha vida pra alguém é sempre tão cansativo,cansativo no sentido de que eu sempre terei que estar arrumando ela com uma frequência maior.As pessoas passam por aqui como um furacão,tiram tudo do lugar,mas no fim,eu sempre prefiro ficar sozinha pra arrumar a bagunça,esperando que mais alguém apareça para fazê-la novamente.É,eu gosto de paz,mas também gosto de furacões.Eu gosto de estar só,mas também gosto de algumas pessoas,algumas poucas pessoas,tão poucas que nem gastaria todos os dedos pra contá-las.
E quando alguém entra na minha vida,eu vou ficando nua,é como se a cada mania,a cada segredo que a pessoa descobrisse,aprendesse sobre mim,fosse uma peça de roupa arrancada,e no fim,eu estou nua,de alma nua.Imagine então que situação constrangedora você ficar nu na frente de alguém que simplesmente sai do cômodo,batendo a porta,muitas vezes sem olhar pra trás.A sua primeira sensação é de se sentir um completo idiota,de estar ali,nu,despido de segredos,logo depois vem a dor,quando você vê suas roupas no chão,aí mesmo machucado você veste a roupa,tudo de novo,as vezes você toma um banho,pra lavar a alma.
Mas não há nada que pague a sensação maravilhosa de se despir na frente de alguém que vale a pena,o olhar que cresce,que incendeia a cada peça tirada,e no fim,quando não sobra mais nenhuma peça,você sabe e sente que o sonho está só começando.
Não,eu não estou falando sobre sexo,estou falando como me sinto quando alguém entra na minha vida.Sim,parece sexo,mas aquele sexo com amor,que você entrega o corpo e a alma,e o que são os relacionamentos se não um sexo na sua forma mais abstrata?
E creio que ninguém tenha o dom de saber quando as pessoas valem ou não a pena,por mais que você use mil métodos pra decodificar alguém,sempre se tem direito ao benefício da dúvida.
E no fim,sabe quem são os mais lembrados?Aqueles que tiram a tua roupa,que te fazem sonhar e depois batem a porta ao ir embora.Eles te dão força e fé,pra acreditar que um único alguém ,vai te despir sempre, todos os dias da sua vida.Por dentro e por fora.
E no final do post,penso no vento.Ao mesmo tempo ele pode ser tão suave e tão devastador,as pessoas me parecem como vento,eu me pareço com o vento.E eu gostaria de algum dia seguir o vento,só pra saber pra onde ele vai,ir junto com ele,assim como eu gostaria de seguir alguém,aonde quer que fosse  ...

"Também aprendi que o amor interrompido em seu auge permanece bonito para sempre. O que pode ser muito doído ou pode ser um presente. Depende de como a gente quer guardar. Depende de como a gente quer seguir... "
(Caio Fernando Abreu)





O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar... ♫



1 de julho de 2010

 Ela não costumava deixar as coisas pra trás,mas dessa vez ela havia conseguido,e só agora ela se deu conta,só agora percebeu que há muito sentia saudade,mas não sentia o que sentia.Percebeu que há muito já não sentia de fato as coisas que sentia,sentia apenas,que faltava algo.
 E de tanto pensar em sentir,não conseguia entender o que isso significava,se a saudade era só a ausência,como se sente falta de um objeto antigo que quebra e deixa aquele espaço vazio no móvel em que costumava ficar.Talvez a saudade fosse de algo que sentiu,ou algum sentimento que ainda existia,mas não tinha pra quem,ou pra que existir.Como se sentimentos precisassem disso para existir.Disso ela sabia,ela só precisava de uma desculpa,pra justificar a saudade pela ausência do objeto,porque o sentimento,ela sabia que existia,só não estava lembrada.
 E veio aquela vontade incontrolável de ligar,mas ela não sabia o que falar,tudo já tinha sido dito e repetido tantas vezes,e logo agora que ela já havia domesticado o coração e ele já estava adestrado a conviver com a  falta,vem o instinto e pede pra ouvir aquela voz outra vez.Aquela voz que lembrava a barba mal feita roçando na bochecha na hora do abraço,aquela voz que lembrava os conselhos mais doces e duros que ela ouviu na vida.Ela nunca os seguiu,mas os guardou,sabe que um dia podem servir pra alguém,alguém que não seja ela,ela não quer nada que tenha sido ou vindo dele,nem mesmo a  lembrança...
 Outra vez ela trata de esquecer.Ele deve estar comendo bem,dormindo,tomando cuidado,pelo menos,é isso que ela espera que ele esteja fazendo.Já que lhe sobrava tão pouco tempo pra ela,que agora ele tenha tempo pra ele,já que era isso e só isso que importava pra ele,e pra ela,um dia...
 E já que o lance é cada um cuidar de si,ela cuidou de guardar todas as lembranças no esquecimento,quem sabe noutro dia de chuva,ela volte a lembrar,quem sabe ...



"E a noite eu ainda te espero, mesmo quando sei que você não virá, só para ter saudade."
(Caio Fernando Abreu)