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23 de dezembro de 2010

  O twitter realmente dá muito pano pra manga. O @  esses dias elogiou o blog, dizendo que era bom pra entender um pouco a cabeça das mulheres e pretenciosamente, disse que os homens entendiam mais do que nós sabíamos que eles entendiam, de cara elogiei, um homem que entende a cabeça de uma mulher merece ser ovacionado. Ditados populares raramente se enganam, e como alegria de pobre dura pouco, @ se retratou, dizendo que rotula mais do que entende ... Pois é meninas, nem adianta seguir o Moacir, ele é igual a todos os outros.
  Igual a todos os homens e não muito diferente de nós, que nos rotulamos, a nós e as outras, sem dor nem piedade. É sempre assim : a gorda, a magra, a louca, a fofoqueira, a vulgar, a complicada ... Não sei se vocês sabiam, mas as pessoas tiram suas conclusões sobre nós nos primeiros 30 segundos, partindo do pressuposto que a primeira impressão é a que fica, você tem 30 segundos pra agradar alguém, pra deixar transparecer tudo que você tem de bom. Sabendo disso fica mais fácil entender porque tanta gente tem uma antipatia gratuita, seus primeiros 30 segundos não foram legais.
  Mas essa necessidade de ser entendida não é exclusiva das mulheres, talvez seja mais latente em nós, porque somos bem mais  faladeiras comunicativas que os homens  mesmo, algumas poucas mulheres foram agraciadas com o dom de serem mais reservadas. Pra mim, um exemplo claro de que essa necessidade independe do sexo é o orkut, ainda que as pessoas não preencham o "quem sou eu" as comunidades dizem muito sobre ela, as fotos no álbum, a ausência de foto e comunidades também dizem muito sobre elas, enfim, o que podemos mostrar para o mundo sobre nós não precisa das ferramentas linguísticas pra acontecer. Se você está lá no orkut, então é porque você quer ser visto, o facebook e o twitter funcionam da mesma forma, o formspring.me  demonstra mais claramente, quer coisa mais reveladora do que responder perguntas pessoais?
  Tudo isso porque se alguém sabe sobre você ela vai te conhecer melhor, mas as pessoas só nos conhecem até onde permitimos que elas conheçam, nós estabelecemos um limite, até mesmo de forma inconsciente. Pra quem se contenta com menos que tudo, um pouco é melhor que nada, mas um pouco não resolve os meus problemas e altera em quase nada a minha vida, então pra que não aconteçam traumas maiores, eu me auto rotulei uma bipolar inconstante, acabando com essa necessidade de conhecer profundamente, afinal, eu posso ter mil faces, eu e todo mundo, mas cabe a cada um fazer um trabalho interno e aceitar isso.







" O que eu sinto, não ajo. O que ajo, não penso. O que penso, não sinto. Do que sei, sou ignorante. Do que sinto, não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse. "
  ( Clarice Lispector )