Agora que comecei a postar me lembrei de um trabalho de literatura na época de colégio.Meu grupo ficou com o Dadaísmo,e a gente usou como exemplo esse poema :
"Pegue um jornal
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público."
(Tristan Tzara)
Algumas vezes eu tenho vontade de escrever assim,palavras soltas,que só eu entenda como elas se encaixariam com todos os seus termos acessórios e integrantes.Me sinto covarde por não falar tudo que quero,da forma como quero.Mas não me sinto no direito de ferir as pessoas a quem eu amo.Nem de ferir qualquer outra pessoa,salvo os momentos de raiva,conscientemente,eu não faria isso.Aliás,até faria,mas esse não é o caso,não por enquanto.
Embora eu saiba que não é verdade (pelo menos,não para mim) imagino minha vida como uma linha reta,com um ponto inicial e um final.Gostaria muito de percorrer esse caminho e ver tudo o que me espera.Após percorrer esse caminho,gostaria de poder voltar e dizer : É,realmente a melhor coisa é continuar como está.Essa minha inconstância está começando a me fazer mal,porque começa a por em dúvida tudo aquilo que eu achava ser verdadeiro em mim.Eu nunca sei quando é coisa de momento.Quanto dura um momento?Gostaria muito da estabilidade do pra sempre.Decididamente,eu odeio mudanças!Essa sensação de não saber o que fazer de mim,me perturba.Já tenho muitos fantasmas me assombrando,não quero mais um pra minha coleção.
Antes que eu comece a ser mais clara,vou colocar algumas frases soltas de Caio Fernando Abreu.Esse homem é sobrenatural,ou tão humano quanto eu,porque ele consegue traduzir da forma mais sincera e íntima,o que a maioria das pessoas não conseguem explicar : O QUE SENTEM.
"...Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis.
Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso."
"Quando você sente saudade demais de uma pessoa, então começa a vê-la nas outras, em todos os lugares, de costas, por um jeito de andar, de sorrir ou virar a cabeça de lado."
"Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração.''
''Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada."
"Francamente, teu silêncio me dá nos nervos." (FATO!)
"Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas."
"Na minha memória - tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos."
"Também sei que ele gosta de mim, só não sei se ele sabe o quanto eu gosto dele, o quanto eu me entreguei ao escuro, aos passos largos."